Convém estar atento para não acontecer que, depois, seja tarde.

Anda no ar um assunto “politicamente correto”, envolvido em barbaridades de manipulação mental com que alguma comunicação social se esforça em formatar a nossa cabeça e o nosso coração. É a discussão política sobre a eutanásia. Disse discussão política, não disse científica, técnica, médica, ética, religiosa ou cultural. Por muito que nos queiram convencer do contrário, é simplesmente a agenda político-partidária que está em causa, que isso de criar legislação para se poder matar legalmente, seja ou não a pedido do futuro defunto, é só areia lançada para os olhos de quem se vê espantado com tamanha desfaçatez, em nome de mais liberdade individual a que querem chamar “direito” a dispor da vida… Não seria mais proveitoso discutir-se como fazer que a vida seja vivida mais dignamente, apesar da gravidade da doença, do que querer decidir sobre “matar”?

Não sabem o que são cuidados paliativos? É que não está em causa somente a morte deste ou daquele indivíduo, mas a morte duma sociedade, duma cultura e duma civilização. A teimosia em apelar para a Constituição, quando dá jeito, e em esquecê-la no que ela afirma sobre a inviolabilidade da vida, é de bradar aos céus. Querem não cumprir a Constituição por questões de birras ideológicas? Que pândegos! É verdade que o organismo humano é a mais extraordinária máquina do mundo. Talvez nisso resida a razão de falhar muitas vezes. A idade e as deficiências que a atacam são uma constante, e as doenças multiplicam-se, assustadoramente.

Pois é precisamente essa ciscunstância que obriga a cuidar da vida e da saúde! É a pensar em todo o género de falhas e deficiências - ligadas aos males físicos, mentais e espirituais - que as pessoas precisam de muito amor fraterno aliado ao socorro médico devido.

Em qualquer leito de dor, em Hospitais, em Lares ou nos domícilios, ressalta uma impressão generalizada de que a pessoa, ao sentir-se humanamente amparada, cria uma espécie de resistência interior muito forte que a auxilia na recuperação da saúde ou na tolerância face à dor. Com amor, até os remédios parece que passam a obter melhores resultados! Como forma de exprimir, o doente, mesmo que diga “matem-me para não sofrer”, está a querer dizer “não me deixem morrer”. Com a evolução dos conhecimentos científicos, tecnológicos e médicos que nas últimas décadas o mundo conheceu, é absocultamente inaceitável que as pessoas, com doenças terminais ou muito graves, ainda morram no meio de dores insuportáveis e de situações de extrema angústia, quando deveriam ter à sua disposição cuidados médicos e humanos, cujo fim é eliminar ou minorar o sofrimento, confortar-lhes a alma, dar-lhes carinho e companhia nos momentos finais de vida. Independentemente do cedo, da ideologia ou da corrente política e filosófica que cada um de nós partilhe (ou não partilhe), a questão da eutanásia ou morte assistida coloca à nossa consciência individual e à sociedade em geral o problema de saber se, perante a dor terminal, própria ou alheia, é lícito pôr termo à vida, em homenagem à vontade de cada pessoa decidir sobre a própria sobrevivência. Não será mais humano tirar dor em vez de tirar vida, cuidar da saúde em vez de promover o funeral?     

Cón. Manuel Maria in semanário a defesa.


 

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